Route 66
Começou a viagem da nossa vida, a mais longa, a mais bonita. Casámos e fomos um mês, para os Estados Unidos da América (EUA). Toda a viagem foi planeada e reservada por nós. Tínhamos alguns pontos que queríamos mesmo conhecer, e outros, que queríamos descobrir! Mas, a única certeza que tínhamos é que queríamos fazer a route 66 e andar sempre para a frente, sem fazer demasiados quilómetros desnecessários. Por isso, ficamos uma noite em cada alojamento diferente, imaginem só, reservar dezassete alojamentos diferentes, tendo em conta as suas características, o preço, se tinha ou não pequeno-almoçoincluído, entre outras opções.
Aterrámos em Chicago, onde ficamos durante três dias. Fomos percorrendo as ruas a pé e começámos a entrar no espírito americano comendo uns donuts e bebendo “baldes” de café. Apenas em dois dias do ano, nos equinócios, o Sol alinha-se com as ruas de Chicago, denominando-se Chicagohenge. E espantem-se: acertámos num desses dias e conseguimos uma das fotos que irá ficar entranhada nas nossas memórias e corações!
No último dia em Chicago, fomos buscar o carro que tínhamos alugado e assim, demos início à nossa rota. Passamos por algumas cidades que fazem parte do percurso, como Sant Louis, onde compramos o nosso passaporte para começar a carimbar os locais por onde passávamos, associados à rota. Continuamos para Springfield, Oklahoma e Albuquerque, onde desviamos para o Utah onde fomos visitar diversos Parques Nacionais como o Canyonlands e o Arch National Park, tudo isto, com o intuito de os conhecer durante o dia, e de os fotografar, à noite.
Vimos o nascer e o por do sol, em cada um destes parques e podemos dizer que foi um espetáculo digno de aplausos. E havia quem contemplasse estes dois momentos diários, aplaudisse convictamente, como que se agradecesse e desejasse um bom dia ou uma boa noite para quem ali estava, incluindo eles próprios.
Retomamos a nossa viagem, com passagem obrigatória pelo Monument Valley e fomos até Page, uma localidade pequena, mas que nos surpreendeu tanto!
Decorriam as festas da cidade, por isso havia muita música e pessoas, por ali. Em dois dias visitámos um dos pontos mais emblemáticos como o Horseshoe Bend, com o objetivo de o fotografar sob as estrelas. Neste ponto encontramos um casal português que estava a fazer a rota em sentido contrário. Sentimo-nos um bocadinho em casa! Visitámos ainda Cathedral Rock, Lone rock, Balanced Rock, que tal como o nome indica, são muitas pedras, com diversas formas. Imaginem só quão radiante estava o Miguel a fotografá-las. Nesta cidade sentimos mesmo o espírito americano e podemos comprová-lo indo duas vezes à mesma cervejaria e comendo tipicamente, escusado será dizer que foram hambúrgueres, asinhas de frango e nuggets sempre acompanhados com muito molho. A maior surpresa, talvez tenha sido, a Cathedral Water, um trilho natural que culminou num fantástico e refrescante mergulho, no rio Colorado. Page é também conhecido pelo Antelope Canyon, mas nós optámos por este local menos povoado, gratuito e deixamo-nos ir à aventura. Cruzámo-nos com algumas pessoas, tanto na ida como na volta e enfrentámos verdadeiros desafios de escalada e saltos, por entre as pedras.
Avançamos caminho até ao Grand Canyon, onde infelizmente não conseguimos fotografar o céu noturno, pois estava o céu nublado, no entanto, foi uma experiência incrível, na medida, em que as paisagens são verdadeiros cenários de filmes, do nosso imaginário que pensamos ser inalcançável (mas não são!). Nos Parques Nacionais pernoitamos sempre no carro, o que já estávamos habituados por cá, mas foi completamente diferente, pois só tínhamos mesmo o carro, sem colchão ou saco de cama, mas mesmo assim, fez-nos querer conhecer mais e mais!
Continuámos pela route 66, agora para visitar a cratera de um meteoro com 1,2 km de diâmetro e 170 m de profundidade, o que nos fez sentir quase como astronautas, ao visitar todo aquele panorama.
Seguidamente, passamos por Flagstaff, Kingman, onde comemos uma agradável apple pie, Oatman, o verdadeiro faroeste dos cowboys e a vila dos burros, até que finalmente, chegámos a Las Vegas. Esta cidade arrebatou-nos de várias formas! Os 42.ºC que se sentiam, faziam-nos correr para dentro das lojas, para refrescar e podermos continuar a caminhar pela cidade, onde vimos os típicos casamentos nas capelinhas, as ruas mais famosas, os casinos, os hotdogs, tudo tal e qual, comovemos nos filmes.
Estando em Las Vegas demos um saltinho até ao Death Valley para fotografarmos à noite. Escolhemos ir ao final da tarde, pois este é um local onde faz muito calor, tal como o nome indica, é mesmo o vale da morte e já houve bastantes incidentes por desidratação. Ainda assim, por volta das 20h quando lá estávamos estavam 37.ºC.
Depois desta fantástica cidade, fomos para outra, mormente, Los Angeles. Passear na avenida estrelada e reconhecer muitos dos nomes, por ali espalhados, foi simplesmente, como estar num filme. Isto, aliado ao cachorro mais caro da nossa vida, comparado com todos os que tínhamos pago até então. Deambulámos pelas ruas e pelo paredão, fomos também ao pier de Santa Mónica, onde termina a route 66 e contemplámos aquela paisagem icónica dos filmes, a que temos assistido no nosso trilho de vida! Aguardámos até à noite para ir ao Observatório de Griffith, porque havia atividades com telescópio, palestras e visita aos edifícios e gostávamos muito de participar.
Fizemos mais uns quilómetros, até chegar ao Sequoia National Park e deixámo-nos encantar pela quantidade de árvores gigantescas que ali se encontram. Mais um quilómetros e fomos até ao Ancient Bristlecone Pine Forest, onde se patenteia, a árvore mais antiga do mundo e ficamos, mais uma vez, rendidos àquelas deslumbrantes paisagens. Trilhámos e descobrimos diferentes composições para fotografarmos à noite, mas o tempo pregou-nos uma partida, por isso decidimos ir até ao Mono lake, para fotografar durante a noite. Qual não é o nosso espanto quando percebemos que não fomos os únicos. É realmente um sítio incrível e com diferentes enquadramentos, mas o frio que se fez sentir naquela noite enregelou-nos e só queríamos aquecer. Naquela zona não havia nada aberto antes das sete da manhã, por isso, imaginem como longa pareceu aquela noite … Tivemos de esperar até que um café ali perto abrisse e lá fomos nós tentar aquecer. Chegámos ao céu! O ambiente era quente e confortável e a comida era um verdadeiro regalo. E muita! Tanta que só à tarde é que tivemos fomos. fome! Foi, sem dúvida, um momento inesquecível. Nesse dia visitamos o Yosemite National Park durante, o dia e deixámo-nos ficar até à noite, onde conseguimos fotografar uma aurora boreal, numa das vistas mais impressionantes do parque.
Estávamos quase a chegar ao nosso destino final, por nós seleccionado, São Francisco. Uma cidade cheia de contrastes, mas que nos fez vaguear pelas ruas, para cima e para baixo, com receio de não conseguir ver tudo. Quisemos andar como eles andam, de cable car, mas não quisemos também perder a oportunidade de experimentar um carro waymo, um carro sem piloto, uma verdadeira emoção na condução, sem condução. Apenas fomos conduzidos! A nossa paixão pela Natureza fez-nos ir a sítios incríveis, abrandar os ritmos, desbravar caminhos e criar memórias, que contrastam com a correria frenética, os sons, cheiros e sabores de cada cidade, excêntrica e magnânima. Esta experiência memorável e, cada vez que a recordamos, sentimo-nos gratos, por poder tê-la vivenciado!.

